Vida de crianças e adolescentes ameaçada enquanto os objectivos globais da SIDA não forem alcançados

É inaceitável que continuemos a ver tantas crianças morrendo de SIDA e tão pouco progresso para proteger os adolescentes de novas infecções por HIV

Claudio Fauvrelle
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Dia Mundial da Luta Contra a SIDA

NOVA IORQUE/JOANESBURGO, 30 de Novembro de 2017 –  Em 2016, 120 mil crianças menores de 14 anos morreram de causas relacionadas à SIDA  e 18 crianças foram infectadas com o HIV a cada hora. Se as tendências actuais persistirem, haverá 3,5 milhões de novas infecções de HIV entre os adolescentes até 2030, de acordo com as projecções da Actualização Estatística do UNICEF sobre Crianças e SIDA 2017 divulgadas hoje.

"É inaceitável que continuemos a ver tantas crianças morrendo de SIDA e tão pouco progresso para proteger os adolescentes de novas infecções por HIV", disse a Dra. Chewe Luo, Chefe da Secção do HIV/SIDA do UNICEF. "A epidemia de SIDA está longe de ter acabado e ameaça ainda e sempre a vida de crianças e de jovens. Acções suplementares devem ser absolutamente levadas a cabo para evitar isso.”

Uma análise do UNICEF sobre as tendências demográficas e os novos dados sobre o HIV revela que os objectivos estabelecidos no quadro “Start Free, Stay Free, AIDS Free”, desenvolvido em 2016 para acelerar as acções com vista a eliminar a SIDA entre crianças de então até 2020, não serão alcançados.

Somente em 2016, 55 mil adolescentes (de 10-19 anos) morreram por causas relacionadas à SIDA, 91% delas na África subsaariana.

Registaram-se alguns progressos na luta contra a SIDA, nomeadamente na prevenção da transmissão vertical do HIV (mãe-filho), que permitiram evitar que cerca de 2 milhões de novas infecções ocorresse entre crianças desde 2000. No entanto, o UNICEF adverte que esse progresso não deve levar à complacência, pois a Actualização Estatística destaca que as crianças com 0-4 anos de idade vivendo com HIV enfrentam o maior risco de morte relacionada à SIDA em comparação com outras faixas etárias.

O teste e tratamento pediátrico do HIV está sendo realizado tardiamente, com apenas 43 por cento dos bebés expostos ao HIV a serem testados nos primeiros dois meses de vida recomendados e a mesma percentagem de crianças que vivem com HIV a receberem tratamento anti-retroviral, portanto essencial para a sua sobrevivência.

O UNICEF diz que o progresso na prevenção de novas infecções por HIV entre adolescentes e a melhoria dos testes e tratamento em populações de adolescentes têm sido inaceitavelmente lentos. Somente em 2016, 55 mil adolescentes (de 10-19 anos) morreram por causas relacionadas à SIDA, 91% delas na África subsaariana. Os dados também revelam uma preocupante disparidade de género: para cada cinco adolescentes que vivem com HIV, existem sete meninas da mesma idade.

"Continuar com esta lenta taxa de progresso é apostar com a vida das crianças e comprometer as gerações futuras a uma vida evitável de HIV e SIDA", acrescentou a Dra. Luo. "Devemos agir com urgência para sustentar os ganhos que fizemos na última década."

O UNICEF propõe um caminho a seguir para abordar lacunas na resposta ao HIV. Isso inclui:

· Investir e utilizar inovações emergentes, como o auto-teste de HIV, profilaxia pré-exposição e novos medicamentos pediátricos;

· Ampliar a resposta a favor das crianças, incluindo a expansão dos programas de tratamento e o investimento em novas TSD (tecnologias simplificadas de diagnóstico) para o diagnóstico precoce infantil do HIV;

· Fortalecer a capacidade dos governos para a colecta de dados completos e desagregados de testes e tratamento, especialmente em adolescentes, para ajudar a informar a programação;

· Priorizar as intervenções a favor dos adolescentes na África subsaariana.

Mais do que nunca, o UNICEF está convencido que a epidemia da SIDA deve constituir uma preocupação mundial de saúde pública. Soluções inovadoras devem ser adoptadas para acelerar os progressos em matéria de prevenção do HIV no seio das crianças e garantir que aquelas vivendo com o HIV recebam o tratamento adequado.

Adolescentes e HIV

Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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