UNICEF, OMS: A falta de saneamento para 2,4 biliões de pessoas prejudica melhorias na saúde

UNICEF, OMS: A falta de saneamento para 2,4 biliões de pessoas prejudica melhorias na saúde

Publicado relatório de progresso final dos ODM sobre a água e saneamento.

Claudio Fauvrelle
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A falta de avanços na área do saneamento ameaça prejudicar a sobrevivência da criança e os benefícios de saúde decorrentes dos ganhos no acesso à água potável, alerta a OMS e o UNICEF num relatório que faz o acompanhamento do acesso à água potável e saneamento em função dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

UNICEF, OMS: A falta de saneamento para 2,4 biliões de pessoas prejudica melhorias na saúde
Hoje em dia, menos de 1.000 crianças menores de cinco anos morrem todos os dias por causa de doenças diarreicas provocadas pela água, saneamento e higiene impróprios, em comparação com mais de 2.000 crianças há 15 anos. © UNICEF/NYHQ2012-2155/LeMoyne

O relatório do Programa Conjunto de Monitorização, Progresso no Saneamento e Água Potável: Actualização de 2015 e Avaliação dos ODM, afirma que em todo o mundo, 1 em cada 3 pessoas, ou seja, 2,4 biliões de pessoas continuam sem acesso a infraestruturas de saneamento – incluindo 946 milhões de pessoas que defecam a céu aberto.

“O que os dados realmente mostram é a necessidade de focalizar nas desigualdades como única forma de conseguir o progresso sustentável, ”disse Sanjay Wijesekera, Chefe dos Programas Mundiais de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF. “Até agora, o modelo mundial tem sido que os mais ricos avançam primeiro e só quando eles têm acesso é que os mais pobres começam a recuperar o atraso. Para que possamos atingir o acesso universal ao saneamento até 2030, devemos garantir que os mais pobres comecem a registar progressos imediatamente.”

O acesso a fontes melhoradas de abastecimento de água foi uma grande conquista dos países e da comunidade internacional. Tendo cerca de 2,6 biliões de pessoas ganho o acesso desde 1990, 91 por cento da população mundial passou a ter acesso ao abastecimento de água melhorado – e o número continua a crescer. Na África Subsaariana, por exemplo, 427 milhões de pessoas passaram a ter acesso – uma média de 47.000 pessoas por dia, todos os dias durante 25 anos.

2,4 biliões de pessoas continuam sem acesso a infraestruturas de saneamento

Os ganhos resultantes da sobrevivência da criança foram substanciais. Hoje em dia, menos de 1.000 crianças menores de cinco anos morrem todos os dias por causa de doenças diarreicas provocadas pela água, saneamento e higiene impróprios, em comparação com mais de 2.000 crianças há 15 anos.

Por outro lado, o progresso registado no saneamento tem sido prejudicado por investimentos inadequados em campanhas para a mudança de comportamento, falta de produtos acessíveis aos pobres e normas sociais que aceitam, ou até mesmo encorajam, a defecação a céu aberto. Embora cerca de 2,1 biliões de pessoas tenha conseguido o acesso ao saneamento melhorado desde 1990, o mundo não cumpriu a meta dos ODM em cerca de 700 milhões de pessoas. Neste momento, apenas 68 por cento da população mundial utiliza infraestruturas de saneamento melhoradas – 9 pontos percentuais abaixo da meta dos ODM de 77 por cento.

“Até que todas as pessoas tenham acesso a infraestruturas de saneamento adequadas, a qualidade do abastecimento de água será prejudicada e um número demasiado elevado de pessoas continuará a morrer de doenças transmitidas e relacionadas com a água,” afirmou a Dra. Maria Neira, Directora do Departamento de Saúde Pública, Determinantes Ambientais e Sociais da Saúde da OMS.

O acesso ao abastecimento de água, saneamento e higiene adequados é crucial na prevenção e cuidado de 16 das 17 ‘doenças tropicais negligenciadas’ (DTN), incluindo o tracoma, helmintos transmitidos pelo solo (parasitas intestinais) e schistosomíase (esquistossomose). As DTN afectam mais de 1,5 biliões de pessoas em 149 países, causando a cegueira, deformação, deficiência permanente e morte.

A prática de fecalismo a céu aberto está também associada a um maior risco de desnutrição crónica, que afecta 161 milhões de crianças em todo o mundo, deixando-as com danos físicos e cognitivos irreversíveis.

“Para beneficiar a saúde humana, é vital acelerar ainda mais o progresso no saneamento, particularmente nas zonas rurais e desfavorecidas,” acrescentou a Dra. Neira.

As zonas rurais abrigam 7 de 10 pessoas sem acesso a saneamento melhorado e 9 de 10 pessoas que defecam ao relento. 

Planos para os novos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem definidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Setembro de 2015 incluem uma meta destinada a eliminar o fecalismo a céu aberto até 2030. Tal exigirá uma duplicação das actuais taxas de redução, em especial no Sul da Ásia e na África Subsaariana, afirmam a OMS e o UNICEF.

A OMS e o UNICEF afirmam que se reveste de importância vital tirar lições sobre o progresso desigual registado no período compreendido entre 1990 e 2015 para garantir que os ODS sanem as lacunas de desigualdade e consigam o acesso universal à água e saneamento. Para tal, o mundo precisa de:

  • Dados desagregados para poder identificar as populações e áreas que são casos anómalos das médias nacionais;
  • Um enfoque robusto e intencional nas pessoas que se encontram nas zonas mais remotas, em particular os pobres das zonas rurais;
  • Tecnologias e abordagens inovadoras com o objectivo de trazer soluções de saneamento sustentáveis para as comunidades pobres a preços acessíveis;
  • Maior atenção à melhoria da higiene nas casas, escolas e unidades sanitárias.

 

Dados sobre Moçambique

Estimativas de cobertura de pessoas com acesso a água potável e ao saneamento básico em Moçambique (em 2015), de acordo com o novo relatório do Programa Conjunto de Monitorização, Progresso no Saneamento e Água Potável: Actualização de 2015 e Avaliação dos ODM.

Uso de fontes melhoradas de água potável (% da pop.)

  • População urbana: 81%
    População rural: 37%
    Total: 51%
  • Proporção da população em 2015 com acesso desde 1990: 33%
  • Progresso relativo a meta dos ODM: Progresso Moderado
  • População rural a usar fontes não melhoradas: 63%
  • População urbana a usar fontes não melhoradas: 19%

Uso de infraestruturas melhoradas de saneamento (% da pop.)

  • População urbana: 42%
    População rural: 10%
    Total: 21%
  • Proporção da população em 2015 com acesso desde 1990: 15%
  • Progresso relativo a meta dos ODM: Progresso Limitado

Taxas de fecalismo a céu aberto

  • População urbana: 13%
    População rural: 52%
    Total: 39%
  • 10 milhões de moçambicanos praticam fecalismo a céu aberto (9 milhões nas zonas rurais, 1 milhão nas zonas urbanas).

 

Para mais informações, favor contactar:

Gabriel Pereira
Tel +258 21 481 100
email: maputo@unicef.org

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