Juntos para uma melhor protecção das crianças no mundo digital e melhor acesso à Internet das mais desfavorecidas

O principal relatório do UNICEF revela as divisões digitais e explora os debates actuais sobre as repercussões da internet e das redes sociais na segurança e no bem-estar das crianças.

Claudio Fauvrelle
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The State of the World’s Children 2017: Children in a digital worldNOVA IORQUE – Apesar da enorme presença de crianças na internet – 1 de cada 3 usuários em todo o mundo é uma criança – são muito escassas as medidas que se tomam para protegê-las dos perigos do mundo digital e para aumentar o seu acesso a conteúdos seguros na internet, disse UNICEF no seu relatório anual mais importante, publicado hoje.

A Situação Mundial da Infância 2017: Crianças num mundo digital (The State of the World’s Children 2017: Children in a digital world) analisa pela primeira vez, de maneira integral, as diferentes formas em que a tecnologia digital está afectando as vidas das crianças e as possibilidades vitais das mesmas, identificando perigos e oportunidades que elas enfrentam. Argumenta que os governos e o sector privado não se adaptaram ao ritmo da mudança, expondo as crianças a novos riscos e perigos, e deixando para trás milhões de crianças mais desfavorecidas.

"Para o bem ou para o mal, a tecnologia digital é agora um facto irreversível de nossas vidas", disse o Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake. "Num mundo digital, o nosso duplo desafio é saber como mitigar os danos, ao mesmo tempo que maximizamos os benefícios da internet para cada criança.”

O relatório explora os benefícios que a tecnologia digital pode oferecer às crianças mais desfavorecidas, inclusive àquelas que crescem na pobreza ou são afectadas por situações de emergência humanitária. Tais benefícios incluem o aumento do seu acesso à informação, a capacitação em habilidades para trabalhar em ambiente cada vez mais digital e dar-lhes uma plataforma para se conectar e comunicar os seus pontos de vista.

Mas o relatório mostra também que milhões de crianças não estão aproveitando a conectividade. Cerca de um terço da juventude mundial - 346 milhões - não estão conectados, exacerbando as desigualdades e reduzindo a capacidade das crianças em participar numa economia cada vez mais digital.

O relatório também assinala como a Internet aumenta a vulnerabilidade das crianças aos riscos e perigos, entre eles o uso indevido de sua informação privada, o acesso a conteúdos prejudiciais e a ciberperseguição  (ciberbullying). A presença ubíqua (omnipresente) de dispositivos móveis, segundo o relatório, permitiu que o acesso online a muitas crianças seja menos supervisionado - e potencialmente tornando-as mais expostas a perigos.

E as redes digitais, como a Web/Internet Obscura (Dark Web) e a criptografia, estão facilitando as piores formas de exploração e abuso, entre elas o tráfico e a difusão online de pornografia (abuso sexual) infantil ‘feitos sob encomenda’.

O relatório apresenta dados e análises actuais sobre a utilização de informação da internet pelas crianças e as consequências da tecnologia digital sobre o bem-estar das mesmas, explorando debates crescentes sobre a "adicção (vício)" digital e o possível efeito do tempo de exposição ao screen (à tela) no desenvolvimento do cérebro da criança.

Os seguintes factos adicionais são analisados no relatório:

· Os jovens são a faixa etária mais conectada. Em todo o mundo, 71% utilizam a internet em comparação com 48% da população total.

· A juventude africana é a menos conectada, com cerca de 3 de cada 5 jovens desconectados (offline), em comparação com apenas 1 em cada 25 na Europa.

· Aproximadamente 56% de todos os sítios web (sites web) estão em inglês e muitas crianças não conseguem encontrar conteúdo que elas entendam ou que seja culturalmente relevante.

· Mais de 9 em 10 URLs (endereço de recursos disponíveis na internet ) de abuso sexual infantil identificados a nível encontram-se em cinco países - Canadá, Estados Unidos da América, Federação Russa (Rússia), França e Países Baixos (Holanda).

Apenas acções colectivas - pelos governos, o sector privado, as organizações de crianças, a academia, as famílias e as próprias crianças - podem ajudar a assegurar a igualdade de oportunidades no espaço digital e a tornar que seja mais seguro e acessível para as crianças, diz o relatório.

As recomendações práticas para contribuir à formulação de políticas mais eficazes e umas práticas comerciais mais responsáveis para beneficiar as crianças incluem:

· Proporcionar a todas as crianças acesso atingível a recursos online de alta qualidade.

· Proteger as crianças de danos online - incluindo o abuso, a exploração, o tráfico, o cyberbullying e a exposição a materiais inadequados.

· Proteger a privacidade e identidade das crianças online.

· Ensinar a linguagem (alfabetização) digital para manter as crianças informadas, comprometidas e seguras online.

· Mobilizar o poder do sector privado para promover normas e práticas éticas que protejam e beneficiem crianças online.

· Colocar as crianças no centro da política digital.

“A internet foi desenhada para adultos, mas é usada cada vez mais por crianças e jovens - e a tecnologia digital afecta cada vez mais suas vidas e seus futuros. Assim, as políticas, as práticas e os produtos digitais devem reflectir melhor as necessidades das crianças, as perspectivas das crianças e as vozes das crianças”, disse Lake.

Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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