Ultrapassar o medo de denunciar a violência doméstica

Ultrapassar o medo de denunciar a violência doméstica

Maria diz que se está a sentir mais segura agora pois há já dois meses que o marido não a agride nem maltrata os seus filhos.

Claudio Fauvrelle
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Maputo – Maria diz que se está a sentir mais segura agora pois há já dois meses que o marido não a agride nem maltrata os seus filhos.

Durante 15 anos de casamento, o marido agrediu-a repetidamente e chegou mesmo a ameaçar matá-la e aos filhos. Maria mostra algumas das cicatrizes.

“Ele chegou a bater-me à frente do meu pai. O meu pai tentou discutir com ele, mas não ajudou. Durante a noite as crianças chegaram a ter de fugir para os vizinhos para pedir ajuda. E outro dia ele disse que iria trancar as crianças na casa e queimála. Mas não o fez.”

Gostaria de viver sozinha se tivesse dinheiro? Os seus olhos brilharam. “Adorava ter a minha própria casa e viver sozinha com os meus filhos e não ter medo,” diz ela. Mas ela admite que não vê meios para isso agora. Ela é pobre. A sua única fonte de rendimento vem do trabalho de costureira, mas ela diz que não há muita demanda na comunidade.

Mulheres como Maria e crianças vítimas de abuso, violência e exploração podem apresentar-se num “Centro de Atendimento”, uma secção especializada da esquadra policial. Aqui, podem não só denunciar o crime a polícias com formação especial, mas também ser referidas para apoio legal, médico e psicológico adequado.

Existem agora 138 centros nas 11 províncias do país e mais de 20.000 mulheres e crianças beneficiam de apoio. Os centros apoiados pelo UNICEF desempenham também um papel importante na sensibilização das comunidades para a violência, incluindo o tráfico de crianças.

Maria Supinho, a polícia baseada na esquadra na capital Maputo coordena o programa na região sul do país. Ela admite que a maior parte dos  casos não são denunciados. 
  
“É um passo importante ter estes centros, mas muitas mulheres têm medo de ir à esquadra. E se fizerem uma denúncia, muitas ainda teriam de voltar para casa. Seria útil se pudéssemos também oferecer abrigo temporário para as mulheres e crianças depois de denunciarem um crime.

“Maria Supinho diz que mais pessoas estão a vir aos centros do que antes, e que a força policial está a ser bemsucedida a prender os agressores. Ela cita o caso de Sara (nome fictício), que tinha apenas 13 anos quando o seu padrasto, um curandeiro tradicional, começou a abuser sexualmente dela.

“Ele disse à Sara que se ela dissesse a alguém, iria morrer. No entanto, Sara contou à mãe, que se recusou a acreditar até apanhar o marido a ter relações sexuais com a filha,” explica Maria Supinho.

O homem está agora na prisão, à espera de ser julgado pela violação de uma menor.

“Antes, os juízes, que eram normalmente homens, tinham tendência de proteger o aggressor masculino, mas agora estão mais sensibilizados para o problema,” acrescenta Maria Supinho.

Para mais informações, favor contactar:

Gabriel Pereira
Tel + 258 21481181
email: maputo@unicef.org

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