Os primeiros mil dias de vida são cruciais para desenvolvimento do cérebro das crianças, considera o UNICEF

Os primeiros mil dias de vida são cruciais para desenvolvimento do cérebro das crianças, considera o UNICEF

Claudio Fauvrelle
Partilhar

Nova Iorque O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou hoje (10.1.17) o movimento #EarlyMomentsMatter [OsPrimeirosAnosdeVidaSãoCruciais], que consiste numa nova campanha apoiada pela Fundação LEGO para conscientização sobre a importância dos primeiros anos de vida de uma criança e os impactos das várias experiências no cérebro em desenvolvimento.

Durante esta janela de oportunidade crítica, as células cerebrais fazem até 1.000 conexões por segundo - uma velocidade única na vida. Essas conexões contribuem para as funções motoras e para o aprendizado das crianças, e lançam as bases para garantir um futuro saudável e feliz. A falta de cuidados nutricionais - que inclui nutrientes adequados, de estímulos, de amor e de protecção contra o estresse e a violência - pode impedir o desenvolvimento dessas conexões tão críticas.

A campanha começa com a promoção da hashtag #EatPlayLove ou #ComerBrincarAmar - uma iniciativa da mídia digital e impressa dirigida aos pais e cuidadores que compartilha a neurociência sobre como os cérebros dos bebés se desenvolvem. Os recursos de #EatPlayLove ou explicam a ciência de uma forma simples e visualmente interessante para incentivar os pais e cuidadores para continuar a aproveitar ao máximo esta oportunidade inigualável para proporcionar aos seus filhos o melhor começo de vida possível.

Ao envolver as famílias, a iniciativa também visa impulsionar a demanda por serviços de desenvolvimento da primeira infância de qualidade e acessíveis, bem como instar os governos a investir em programas voltados para as crianças mais vulneráveis.

De acordo com uma recente série do The Lancet, cerca de 250 milhões de crianças de países em desenvolvimento estão em risco de não se desenvolver de forma adequada devido à extrema pobreza e a falta de nutrientes. Mas a necessidade de maior investimento e acção no desenvolvimento da primeira infância não se limita aos países de baixa renda. As crianças desfavorecidas que vivem em países de renda média e alta também estão em risco. O UNICEF estima que milhões de crianças passam os primeiros anos de idade sem receber estímulos ou em ambientes inseguros, colocando em risco o seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional.

O investimento na primeira infância é uma das formas mais rentáveis de aumentar a capacidade de todas as crianças de atingir o seu pleno potencial - aumentando a sua capacidade de aprender na escola e, mais tarde, a sua capacidade produtiva e económica como adultos. Isto é especialmente importante para as crianças que crescem na pobreza. Um estudo de há 20 anos mostrou que as crianças desfavorecidas que participaram em programas de desenvolvimento da primeira infância de qualidade como crianças chegaram a ganhar até 25 por cento mais na idade adulta do que seus pares que não receberam o mesmo apoio.

As intervenções para o desenvolvimento da primeira infância, como o pacote Care for Child Development, que inclui o treinamento de agentes de saúde comunitários para ensinar as famílias a importância de brincar com seus filhos de uma forma que estimule um desenvolvimento saudável, podem custar apenas 50 cêntimos de dólares por criança, por ano, quando combinadas com os serviços existentes, como os serviços de saúde.

O UNICEF apela aos governos que aumentem os investimentos na primeira infância, ampliem os serviços sociais e de saúde oferecidos às crianças e reforcem os serviços de apoio aos pais e cuidadores.

Esta campanha faz parte do programa mais amplo do UNICEF sobre o desenvolvimento da primeira infância, apoiado pela Fundação H & M, Fundação Conrad N. Hilton, ALEX AND ANI e Fundação IKEA.

 

Em Moçambique, uma em cada cinco pessoas, isto é, 4,5 milhões, são crianças com menos de cinco anos de idade, e esse número está a crescer. Apesar de vários esforços do Governo e parceiros, muitos menores de cinco anos de idade ainda sofrem devido a falta de condições básicas para a sua sobrevivência e desenvolvimento. O número de crianças que morrem nos primeiros cinco anos de vida continua a um nível humanamente inaceitável. Quarenta por cento ainda não são registadas ao nascer, o que reduz as suas possibilidades de acesso aos serviços e protecção de que necessitam. A desnutrição crónica afecta cerca de 43% das crianças menores de cinco anos, uma das mais altas taxas do mundo, e apenas cerca de 5% das crianças entre os três e cinco anos de idade têm acesso ao ensino pré-escolar.

“É fundamental que se expanda o espaço fiscal para a área social de modo a investir cada vez mais na saúde, nutrição, protecção das crianças e suas mães, assim como na pré-escola e educação dos pais e cuidadores de crianças” apelou Marcoluigi Corsi, Representante do UNICEF em Moçambique. “Esse investimento, nos primeiros momentos de vida das crianças, irá aumentar a eficácia dos sistemas de educação e saúde, promover o desenvolvimento social e humano do país, e consequentemente aumentar a produtividade da força de trabalho de que o país tanto necessita” concluiu.

 

Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

Subscrever ao boletim

primeira infância

Doar

As crianças de Moçambique precisam da sua ajuda. Chegou a sua vez de ajudar. Faça uma doação.

PARTILHAR

Partilha esta informação com teu amigos e familiares, e vamos ajudar mais pessoas a ficarem juntos pelas crianças de Moçambique.

NOSSO TRABALHO

Aprenda mais sobre o trabalho do UNICEF em Moçambique.