Os investimentos em benefício das crianças pobres salvam mais vidas por cada dólar despendido, diz novo estudo do UNICEF

Se a comunidade internacional não acelerar os progressos relativamente à mortalidade infantil, em 2030 perto de 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos de idade.

Claudio Fauvrelle
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Investments in poor children save more lives per dollar spent, new UNICEF study says
Se não forem acelerados os progressos na redução da mortalidade infantil, em 2030 perto de 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos de idade.

Nova Iorque – Investir na saúde e na sobrevivência das crianças e comunidades mais carenciadas permite uma melhor relação custo-benefício do que as abordagens tradicionais. Na prática, permitem salvar quase duas vezes mais vidas por cada milhão de dólares gasto, quando comparado com investimentos equivalentes em grupos menos desfavorecidos, revela novo estudo da UNICEF. Leia o relatório aqui [Inglês].

Narrowing the Gaps: The power of investing in the poorest childrenReduzir as disparidades: O poder dos investimentos nas crianças mais pobres) apresenta provas irrefutáveis que vêm apoiar uma hipótese pouco convencional feita pelo UNICEF em 2010: os custos suplementares decorrentes de medidas que permitem intervenções de grande impacto em matéria de saúde para chegar às crianças mais pobres serão compensados por melhores resultados.

Se não forem acelerados os progressos na redução da mortalidade infantil, em 2030 perto de 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos de idade.

"Os dados são irrefutáveis: investir nas crianças mais pobres não é apenas justo como princípio, como correcto na prática, pois permite salvar mais vidas por cada dólar despendido", afirmou o Director Executivo do UNICEF, Anthony Lake. "Num período em que cada dólar conta, estes resultados são de uma importância crucial para todos os governos que trabalham para pôr fim às mortes evitáveis de crianças. Investir equitativamente na saúde das crianças permite também assegurar um futuro melhor e ajuda a quebrar ciclos intergeracionais de pobreza. Uma criança saudável tem melhores hipóteses de aprender na escola e de vir a ter maiores rendimentos na vida adulta."

Se não forem acelerados os progressos na redução da mortalidade infantil, em 2030 perto de 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos de idade.

Com base em dados de 51 países onde se registam cerca de 80% do total das mortes de recém-nascidos e de crianças menores de cinco anos, o estudo concluiu que a melhoria da cobertura de intervenções vitais em grupos pobres ajudou a diminuir a mortalidade infantil nesses países quase três vezes mais rapidamente do que as intervenções dirigidas à restante população.

Essencialmente, o estudo usa novos dados e instrumentos de modelização de dados para demonstrar que as intervenções dirigidas às crianças de grupos pobres são 1,8 vezes mais rentáveis no que diz respeito às vidas salvas.

Para chegar a essa conclusão foram seleccionadas seis intervenções chave de saúde como indicadores para avaliar o acesso a intervenções de elevado impacto em matéria de saúde materna, neonatal e infantil: o uso de redes mosquiteiras impregnadas de insecticida, iniciação precoce do aleitamento materno, cuidados pré-natais, vacinação completa, assistência de uma parteira qualificada durante o parto e procura de tratamento para as crianças com diarreia, febre ou pneumonia.

Mais especificamente, o estudo conclui que:

  • O acesso a intervenções de elevado impacto em matéria de saúde e nutrição melhorou mais rapidamente nos últimos anos entre grupos pobres, o que teve como resultado melhorias substanciais em termos de equidade;
  • Durante o período em análise, a diminuição absoluta das taxas de mortalidade de menores de cinco anos associadas à melhoria da cobertura das intervenções foi quase três vezes mais rápida entre os grupos pobres do que nos grupos de crianças não pobres;
  • Dado que as taxas de natalidade eram mais elevadas nos grupos pobres do que na restante população, a redução da taxa de mortalidade de menores de cinco anos em comunidades pobres traduziu-se em 4,2 vezes mais vidas salvas por cada milhão de pessoas;
  • Dos 1,1 milhões de vidas salvas nos 51 países durante o último ano estudado (diferente segundo o país), cerca de 85% correspondiam aos grupos pobres;
  • Embora o investimento per capita necessário para melhorar a cobertura das intervenções nos grupos mais pobres seja maior do que o requerido para chegar ao resto da população, estes investimentos permitem salvar quase o dobro das vidas por cada milhão de dólares investido (do que investimentos equivalentes em grupos que não são pobres).

O estudo enumera o Afeganistão, o Bangladesh e o Malawi como alguns dos países com altas taxas de mortalidade de crianças menores de cinco anos onde o enfoque nas comunidades mais carenciadas fez a diferença para as crianças. Entre 1990 e 2015, a mortalidade de menores de cinco anos diminui para metade no Afeganistão e 74 por cento no Bangladesh e no Malawi.

Estas conclusões surgem num momento crucial, dado que os governos continuam a trabalhar para atingir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, que estabelecem como uma das suas metas acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de cinco anos até 2030. Investir na saúde e na sobrevivência das crianças pode também contribuir para a realização de outros objectivos de desenvolvimento globais, como erradicar a pobreza (ODS1).




Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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