O Mundo está a falhar para com os recém-nascidos

O Mundo está a falhar para com os recém-nascidos

Os bebés que nascem nos países mais desfavorecidos têm uma probabilidade de morrer no primeiro mês de vida 50 vezes maior que os outros bebés.

Claudio Fauvrelle
Partilhar

O Mundo está a falhar para com os recém-nascidos

NOVA IORQUE –
O número global de mortes de recém-nascidos continua a ser assustadoramente elevado, sobretudo nos países mais pobres do mundo, afirmou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no dia 20 de Fevereiro, num novo relatório sobre a mortalidade de recém-nascidos. Os bebés nascidos no Japão, na Islândia e em Singapura têm as melhores probabilidades de sobrevivência, enquanto os que nascem no Paquistão, na República Centro-Africana e no Afeganistão estão na posição inversa, enfrentando as maiores adversidades para sobreviver no primeiro mês de vida.

“Apesar de, nos últimos 25 anos, termos diminuído em mais de metade o número de mortes entre crianças com menos de cinco anos, não fizemos o mesmo progresso relativamente às que morrem no primeiro mês de vida", afirmou Henrietta H. Fore, Directora Executiva do UNICEF. "Dado que a maioria dessas mortes são evitáveis, estamos a falhar para com os bebés mais pobres do mundo".

A nível mundial, nos países de baixo rendimento, a taxa de mortalidade neonatal é de 27 mortes por cada 1.000 nascimentos, segundo o relatório. Nos países de rendimento elevado, essa taxa é de três mortes por cada 1.000. Os recém-nascidos dos locais mais inseguros do mundo para se dar à luz têm 50 vezes mais probabilidades de morrer comparativamente aos bebés nascidos nos locais mais seguros.

O relatório destaca também que oito dos 10 locais mais perigosos para se nascer situam-se na África Subsaariana, onde as mulheres grávidas têm muito menos hipóteses de ser assistidas durante o parto devido à pobreza, aos conflitos e à falta de infraestruturas. Se todos os países baixassem a sua taxa de mortalidade neonatal para a taxa média dos países de rendimento elevado até 2030, 16 milhões de vidas poderiam ser salvas.

Mais de 80 por cento das mortes entre recém-nascidos devem-se à prematuridade, complicações durante o parto ou infecções como a pneumonia e a septicémia.

Mais de 80 por cento das mortes entre recém-nascidos devem-se à prematuridade, complicações durante o parto ou infecções como a pneumonia e a septicémia, indica o relatório. Estas mortes podem ser evitadas através do acesso a parteiras com formação adequada, juntamente com soluções de eficácia comprovada, como água limpa, desinfectantes, o aleitamento materno durante a primeira hora de vida do bebé, contacto pele-a-pele e uma boa alimentação. No entanto, a falta de profissionais de saúde e parteiras com uma boa formação traduz-se em milhares de bebés que não têm o apoio de que precisam para poderem sobreviver. Por exemplo, na Noruega existem 218 médicos, enfermeiros e parteiras para prestar assistência por cada 10.000 pessoas, enquanto o rácio na Somália é de 1 por cada 10.000.

Este mês, o UNICEF lança Every Child ALIVE (Todas as VIDAS contam), uma campanha global para exigir e apresentar soluções para os recém-nascidos do mundo inteiro. Ao longo da campanha, o UNICEF irá também emitir um apelo urgente dirigido a governos, prestadores de cuidados de saúde, doadores, sector privado, famílias e empresas para pôr fim à morte de recém-nascidos mediante:

· Recrutamento, formação, retenção e gestão de um número suficiente de médicos, enfermeiros e parteiras com especialização em cuidados maternos e neonatais;

· Garantir instalações de saúde limpas e funcionais, equipadas com água, sabão e eletricidade, ao alcance de cada mãe e bebé;

· Tornar prioritário que todas as mães e bebés tenham os medicamentos e os equipamentos vitais necessários para um início de vida saudável; e

· Capacitar as raparigas adolescentes, mães e famílias para exigirem e receberem cuidados saúde de qualidade.

"Todos os anos, 2,6 milhões de recém-nascidos em todo o mundo não sobrevivem ao primeiro mês de vida. Destes, um milhão morre no mesmo dia em que nasce," disse Henrietta H. Fore. "Sabemos que podemos salvar a grande maioria destes bebés com soluções de cuidados de saúde financeiramente acessíveis e de qualidade para todas as mães e todos os recém-nascidos. Todos nós, com simples e pequenos gestos, podemos ajudar a assegurar os primeiros passos de cada uma destas novas vidas.” ######

 

A Situação em Moçambique

Em Moçambique estima-se que cerca de 29.000 recém-nascidos morrem anualmente (http://www.apromiserenewed.org/countries/mozambique/), o que significa que 80 recém-nascidos morrem diariamente e três a cada hora.

A Taxa de Mortalidade Neonatal de Moçambique é estimada em 27 mortes de recém-nascidos por 1.000 nados-vivos, o que significa que 1 em 27 nados-vivos morre no período neonatal) (IGME 2017). De 1990 a 2015 a mortalidade neonatal decaiu em 56%, contudo nos últimos anos tem-se mantido estacionária (http://www.apromiserenewed.org/countries/mozambique/).

As principais causas de morte em Moçambique são a prematuridade, complicações relativas ao parto e a sepsis.

Do total de mortes estimadas, as Unidades Sanitárias reportaram apenas 10,5%. Das mortes notificadas 50,8% ocorreram em prematuros (idade gestacional <37 semanas) demonstrando o peso desta condição em Moçambique. Das mortes notificadas, 37.7% ocorreram dentro das primeiras 24 horas de vida, 49% entre as 24 horas e os 7 dias de vida, 12% em recém-nascidos entre os 7 dias e os 28 dias de vida. Cerca de 1.3% não se sabe o momento exacto da sua morte.

 

Intervenções realizadas para a redução da mortalidade neonatal:

Políticas

Aprovação e expansão da oferta da clorexidina para o cuidado do cordão umbilical para as crianças que nascem nas Unidades Sanitárias e na Comunidade para a prevenção da sepsis neonatal.

1.    Uso da dexametasona, para a indução da maturação pulmonar no manejo do parto pré-termo até ao nível de Cuidados de Saúde Primário.

2.    Priorização da aquisição e disponibilização de medicamentos essenciais e de cuidados obstétricos e neonatais essenciais.

3.    Institucionalização do método Mãe Canguru nas Unidades Sanitárias com Maternidade para o cuidado do recém-nascido prematuro ou com baixo peso.

Desenvolvimento de capacidades (dentro das Unidades Sanitárias e na Comunidade)

4.    Capacitação dos trabalhadores de saúde para a prevenção e manejo do parto pré-termo e do recém-nascido prematuro.

5.    Capacitação dos trabalhadores de saúde em reanimação neonatal e cuidados essenciais do recém-nascido.

6.    Elaboração de pacote de formação dos trabalhadores de saúde para a Atenção Integrada das Doenças da Infância (AIDI) com foco para o período pós-parto imediato e à 1ª semana de vida, melhorando a capacidade de identificação, manejo precoce e referência dentro do Sistema Nacional de Saúde.

7.    Integração das actividades de Saúde Materno e Neonatal no pacote de acções realizadas pelos APEs (Agentes Polivalentes Elementares), permitindo a identificação precoce de sinais de perigo do recém-nascido durante as visitas domiciliares dos APEs.

8.    Fortalecimento dos Comités (Nacional, Provinciais) de auditoria de mortes maternas e neonatais (garantir o funcionamento, criação da base de dados electrónica para a notificação).

Recursos materiais

9.    Realização do inventário do equipamento para a saúde neonatal para a identificação das necessidades de materiais e equipamentos para melhoria dos berçários, salas de parto e sectores das unidades sanitárias de nível primário onde são atendidos os recém-nascidos.

Acções para 2018

Durante o ano de 2018, Moçambique irá consolidar as intervenções iniciadas. Todas as intervenções do recém-nascido serão congregadas num Plano Nacional de Acção para o recém-nascido de Moçambique, alinhado ao ENAP (Every Newborn Action Plan).

Será ainda o momento de apetrechamento das Unidades Sanitárias prioritárias em equipamento neonatal essencial, baseado nos resultados do inventário realizado.

Iniciar-se-á a fase piloto para a operacionalização de seis Unidades Distritais do recém-nascido doente nas Províncias de Zambézia e Nampula (províncias mais populosas e com as mais altas taxas de mortalidade), liderado pelo Ministério da Saúde em parceria com a AMOPE (Associação Moçambicana de Pediatria) e UNICEF.

 

Sites de referência

http://www.apromiserenewed.org/countries/mozambique/

https://data.unicef.org/topic/child-survival/neonatal-mortality/



Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

Subscrever ao boletim

#CadaVidaConta

Doar

As crianças de Moçambique precisam da sua ajuda. Chegou a sua vez de ajudar. Faça uma doação.

PARTILHAR

Partilha esta informação com teu amigos e familiares, e vamos ajudar mais pessoas a ficarem juntos pelas crianças de Moçambique.

NOSSO TRABALHO

Aprenda mais sobre o trabalho do UNICEF em Moçambique.