Milhões de crianças mais pobres do mundo são deixadas para trás, apesar do progresso global, diz o novo relatório do UNICEF

Milhões de crianças mais pobres do mundo são deixadas para trás, apesar do progresso global, diz o novo relatório do UNICEF

A comunidade internacional falhará em relação a milhões de crianças se não concentrar a sua atenção nas mais desfavorecidas no seu novo roteiro de desenvolvimento para os próximos 15 anos, alertou hoje o UNICEF.

Claudio Fauvrelle
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NOVA IORQUE, 23 de Junho de 2015 – A comunidade internacional falhará em relação a milhões de crianças se não concentrar a sua atenção nas mais desfavorecidas no seu novo roteiro de desenvolvimento para os próximos 15 anos, alertou hoje o UNICEF.

O relatório final do UNICEF Progresso da Criança: Além das Médias, que trata dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio relacionados com a criança, diz que, apesar de avanços significativos registados, oportunidades desiguais deixaram milhões de crianças a viver em situação de pobreza, a morrer antes de chegarem aos cinco anos de idade, sem escolaridade e a sofrerem de desnutrição crónica.

“Os ODM ajudaram o mundo a registar enormes progressos para as crianças – mas também nos mostraram quantas crianças estamos a deixar para trás”, afirmou o Director Executivo do UNICEF, Anthony Lake. “A vida e o futuro das crianças mais desfavorecidas são importantes – não apenas para o seu próprio bem, mas para o bem das suas famílias, das suas comunidades e das suas sociedades."

As disparidades dentro dos países deixaram as crianças das famílias mais pobres com uma probabilidade duas vezes maior de morrer antes do seu quinto aniversário e muito menos propensas a ter padrões mínimos de leitura do que as crianças das famílias mais ricas.

O constante fracasso em alcançar essas crianças pode ter consequências dramáticas. No ritmo actual de progresso, dado o crescimento da população projectado, estima-se que:

  • Mais de 68 milhões de crianças menores de cinco anos morrerão de causas evitáveis até 2030;
  • Estima-se que 119 milhões de crianças ainda serão cronicamente desnutridas;
  • Metade de um bilião de pessoas continuará a defecar a céu aberto, o que representa riscos graves para a saúde das crianças;
  • Serão necessários quase 100 anos para que todas as raparigas das famílias mais pobres da África subsaariana concluam o primeiro ciclo do ensino secundário.
O relatório destaca sucessos notáveis desde 1990:

  • A mortalidade em menores de cinco anos reduziu em mais de metade, passando de 90 por 1.000 nados vivos para 43 por 1.000 nados vivos;
  • O baixo peso e a desnutrição crónica em crianças menores de cinco anos diminuiu em 42 por cento e 41 por cento, respectivamente;
  • A mortalidade materna diminuiu em 45 por cento;
  • Cerca de 2,6 biliões de pessoas conseguiram acesso a fontes melhoradas de água potável.
E o fosso registado entre os mais pobres e os mais ricos está a reduzir em cerca de metade dos indicadores medidos pelo UNICEF.

  • Em muitos países, registam-se maiores ganhos na sobrevivência da criança e na frequência escolar nas famílias mais pobres.
  • A diferença entre as taxas de mortalidade materna entre países de baixa e alta renda foi reduzida para metade entre 1990 e 2013, de 38 vezes mais elevadas para 19 vezes.
O relatório também destaca a má notícia: O progresso ainda é incerto para os cerca de 5,9 milhões de crianças que morrem todos os anos antes do seu quinto aniversário, as 289.000 mulheres que morrem todos os anos durante o parto e os 121 milhões de crianças e adolescentes que não vão à escola.

Enquanto os líderes mundiais se preparam para adoptar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as crianças mais desfavorecidas devem estar no centro dos novos objectivos e metas, disse o UNICEF. Uma melhor recolha e desagregação de dados – indo além das médias, tais como os métodos usados ​​para medir os ODM – pode ajudar a identificar as crianças mais vulneráveis ​​e excluídas e onde elas vivem. Sistemas locais mais robustos de saúde, educação e protecção social podem contribuir para que mais crianças sobrevivam e prosperem. E investimentos mais inteligentes ajustados às necessidades das crianças mais vulneráveis ​​podem produzir benefícios a curto e longo prazos.

“Os ODS constituem uma oportunidade para aplicar as lições que aprendemos e chegar até às crianças mais necessitadas – será vergonhoso se não o fizermos!”, disse Lake. “Uma maior equidade de oportunidades para as crianças de hoje significa menos desigualdade e um progresso mais global amanhã”.

Para mais informações, favor contactar:

Gabriel Pereira
Tel +258 21 481 100
email: maputo@unicef.org

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