Globalmente, os bebés e as mães sofrem os efeitos da falta de investimento no aleitamento materno

Globalmente, os bebés e as mães sofrem os efeitos da falta de investimento no aleitamento materno

Novas pesquisas mostram que um investimento de 4,70 USD por cada recém-nascido poderia gerar benefícios económicos de 300.000 milhões USD até ao ano 2025.

Claudio Fauvrelle
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Breastfeeding Week
O leite materno funciona como a primeira vacina de bebés.

GENEBRA/NOVA IORQUE – Nenhum país do mundo cumpre plenamente os padrões recomendados para o aleitamento materno, de acordo com um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) em colaboração com o Colectivo Mundial para o Aleitamento Materno (Global Breastfeeding Collective), uma nova iniciativa para aumentar as taxas mundiais de amamentação.

A Tabela de Pontuação do Aleitamento Materno no mundo (The Global Breastfeeding Scorecard), que avaliou 194 nações, descobriu que apenas 40 por cento das crianças menores de seis meses são amamentadas exclusivamente (unicamente leite materno) e apenas 23 países têm taxas de aleitamento materno exclusivo acima de 60 por cento.

A evidência mostra que a amamentação tem benefícios cognitivos e de saúde para os bebés e suas mães. É especialmente crítico durante os primeiros seis meses de vida, pois ajudaa prevenir a diarreia e a pneumonia, consideradas duas das principais causas de morte em lactentes. As mães que amamentam têm um risco reduzido de desenvolver cancro do ovário e da mama, que se destacam como duas principais causas de morte entre as mulheres.

De acordo com o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Director-geral da OMS "o aleitamento materno garante aos bebés o melhor começo de vida. O leite materno funciona como a primeira vacina de bebés, protegendo-os de doenças potencialmente mortais e dando-lhes todo o alimento que precisam para sobreviver e prosperar".

O aleitamento materno é um dos investimentos mais eficazes e económicos que um país pode fazer a favor da saúde de seus habitantes mais jovens e a saúde futura de sua economia e sociedade.

A tabela de pontuação foi publicada no início da Semana Mundial do Aleitamento Materno, ao mesmo tempo que uma nova análise que demonstra que se requer um investimento de apenas 4,70 USD por recém-nascido por ano para aumentar até 50 por cento até 2025 a taxa mundial do aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses.

Conforme a publicação com o título Nurturing the Health and Wealth of Nations: The Investment Case for Breastfeeding (Alimentar a Saúde e a Riqueza das Nações: as Razões de Investimento a favor do Aleitamento Materno), sugere que o cumprimento desse objectivo poderia salvar a vida de 520 mil crianças menores de cinco anos e potencialmente gerar 300.000 milhões de USD de ganhos económicos em 10 anos, como resultado de redução de doenças e custos de cuidados de saúde e aumento da produtividade.

"O aleitamento materno é um dos investimentos mais eficazes e económicos que um país pode fazer a favor da saúde de seus habitantes mais jovens e a saúde futura de sua economia e sociedade", explica o Director Executivo do UNICEF, Anthony Lake. "Ao não investir na amamentação, estamos falhando na nossa obrigação perante as mães e seus bebés - e pagamos um preço duplicado: em vidas e oportunidades perdidas".

As razões de investimento a favor do aleitamento materno mostra que em cinco das maiores economias emergentes do mundo - China, Índia, Indonésia, México e Nigéria - a falta de investimento na amamentação resulta em aproximadamente 236 mil mortes de crianças por ano e 119.000 milhões USD em perdas económicas.

A nível mundial, o investimento no aleitamento materno é muito baixo. Todos os anos, os governos dos países de baixa e média gastam cerca de 250 milhões USD em programas de amamentação; e os doadores fornecem apenas 85 milhões USD adicionais.

O Colectivo Mundial para o Aleitamento Materno está convidando os países a:

  • Aumentar o financiamento para aumentar as taxas de aleitamento materno desde o nascimento até dois anos.
  • Implementar plenamente o Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno e as resoluções pertinentes da Assembleia Mundial da Saúde através de fortes medidas legais que são aplicadas e monitoradas de forma independente por organizações livres de conflitos de interesse.
  • Promover a licença familiar remunerada e as políticas de amamentação no local de trabalho, com base nas directrizes de protecção da maternidade da Organização Internacional do Trabalho como requisito mínimo, incluindo provisões para o sector informal.
  • Implementar os dez passos para o sucesso do Aleitamento Materno nas maternidades, incluindo o fornecimento de leite materno para recém-nascidos doentes e vulneráveis.
  • Melhorar o acesso ao aconselhamento qualificado sobre Alimentação Infantil como parte de políticas e programas abrangentes de amamentação em instalações de saúde.
  • Fortalecer os vínculos entre as unidades de saúde e as comunidades, e incentivar redes comunitárias que protejam, promovam e apoiem a amamentação.
  • Reforçar os sistemas de monitoramento que acompanham o progresso das políticas, programas e financiamento para alcançar alvos nacionais e globais de amamentação.

O aleitamento materno é fundamental para o  alcance de muitos dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Melhora a nutrição (ODS2), previne a mortalidade infantil e diminui o risco de doenças não transmissíveis (ODS3) e apoia o desenvolvimento cognitivo e a educação (ODS4). O aleitamento materno também é um facilitador para acabar com a pobreza, promover o crescimento económico e reduzir as desigualdades.

Lançamento da Semana Mundial do Aleitamento Materno em Moçambique


Amamentar é saúde: Nos primeiros 6 meses amamente só com leite materno


 

Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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