Dividendos ou desastres: o novo relatório do UNICEF sobre o crescimento da população em África

Dividendos ou desastres: o novo relatório do UNICEF sobre o crescimento da população em África

A população infantil africana deverá aumentar em 170 milhões entre agora e 2030, elevando o número de menores de 18 anos para 750 milhões de habitantes.

Claudio Fauvrelle
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JOANESBURGO/DAKAR/NAIROBI – A projectada expansão da população infantil em África exigirá um aumento de mais de 11 milhões de educadores qualificados e pessoal de saúde até 2030, para acompanhar a transição demográfica sem precedentes do continente, disse hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A população infantil africana deverá aumentar em 170 milhões entre agora e 2030.

A população infantil africana deverá aumentar em 170 milhões entre agora e 2030, elevando o número de menores de 18 anos para 750 milhões de habitantes. Isso, de acordo com a Geração 2030 África 2.0: Priorizando o investimento em crianças para colher o dividendo demográfico (Generation 2030 Africa 2.0: Prioritizing investment in children to reap the demographic dividend), um novo relatório divulgado pelo UNICEF sobre a demografia infantil em África e suas implicações para o continente e para o mundo.

O relatório identifica três questões fundamentais para o investimento: cuidados de saúde, educação e protecção, e capacitação de mulheres e meninas. Concretamente, a África terá que adicionar 5,6 milhões de novos profissionais de saúde e 5,8 milhões de novos professores até 2030 para atender aos padrões internacionais mínimos em saúde e metas de melhores práticas na educação devido à crescente população.

"Investir na saúde, protecção e educação deve tornar-se uma prioridade absoluta para a África de agora até 2030", disse Leila Pakkala, Directora Regional do UNICEF para a África Oriental e Austral. "Estamos no momento mais crítico para os filhos de África. Façamos bem e criemos as bases para um dividendo demográfico, que poderia tirar centenas de milhões da pobreza extrema e contribuir para uma maior prosperidade, estabilidade e paz."

O relatório do UNICEF indica que quase metade da população do continente tem menos de 18 anos e as crianças constituem a maioria da população em cerca de um terço dos 55 estados membros da União Africana. Nas projecções actuais, o número de crianças em África será superior a mil milhões até 2055.

"Imagine o potencial de mil milhões de crianças", disse Marie-Pierre Poirier, Directora Regional do UNICEF para a África Ocidental e Central. "Se África intensificar os seus investimentos em crianças e jovens agora, transformar seus sistemas educacionais e capacitar mulheres e meninas para participarem plenamente da vida comunitária, no local de trabalho e política, conseguirá colher dividendos mais rápidos, mais profundos e mais longos da sua transição demográfica."

Criticamente, o relatório Generation 2030 Africa 2.0 também observa que África pode colher um dividendo demográfico que verá um aumento de renda per capita em até quatro vezes mais em 2050, se políticas que promovem o crescimento do emprego forem elaboradas em consonância com o investimento interno e internacional no capital humano africano.

Por outro lado, se os investimentos não forem realizados na juventude e nas crianças de África, a oportunidade única de um dividendo demográfico pode ser substituída por um desastre demográfico caracterizado por desemprego e instabilidade.

O UNICEF recomenda três acções políticas para criar as condições socioeconómicas para as próximas gerações de África:

· Melhorar os serviços de saúde, o bem-estar social e a protecção para atender aos padrões internacionais; ou acima dos mesmo, em países próximos de alcançá-los.

· Adaptar as habilidades educacionais de África e o sistema de aprendizagem vocacional através da reforma curricular e do acesso à tecnologia, para melhorar os resultados de aprendizagem, de modo que as crianças e os jovens de África possam atender às necessidades de um mercado de trabalho do século XXI.

· Garantir e assegurar o direito à protecção contra a violência, a exploração, o casamento prematuro e o abuso; e eliminar as barreiras que impedem as mulheres e as meninas de participarem plenamente na vida comunitária, no local de trabalho e na política, com maior acesso aos serviços de saúde reprodutiva.

 

 

Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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