Dia Mundial da Água: Quase 750 milhões de pessoas ainda sem acesso à água potável de qualidade

Dia Mundial da Água: Quase 750 milhões de pessoas ainda sem acesso à água potável de qualidade

O acesso à água potável tem sido um dos maiores sucessos dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs), disse o UNICEF nas vésperas do Dia Mundial da Água, que este ano se celebra sob o lema Água e o Desenvolvimento Sustentável, todavia para 748 milhões de pessoas ao redor do mundo, obter este serviço essencial continua a ser um desafio.

Claudio Fauvrelle
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NOVA IORQUE - O acesso à água potável tem sido um dos maiores sucessos dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs), disse o UNICEF nas vésperas do Dia Mundial da Água, que este ano se celebra sob o lema Água e o Desenvolvimento Sustentável, todavia para 748 milhões de pessoas ao redor do mundo, obter este serviço essencial continua a ser um desafio.

World Water Day 2015. © UNICEF/MOZA2012-00400/Ian Berry/Magnum Photos
A água é a própria essência da vida e ainda três quartos de mil milhões de pessoas continuam actualmente privados deste direito humano mais básico. © UNICEF/MOZA2012-00400/Ian Berry/Magnum Photos

"A história de acesso à água potável, desde 1990, tem sido um dos enormes progressos em face de todas as probabilidades", disse Sanjay Wijesekera, Responsável dos programas de água, saneamento e higiene do UNICEF a nível global. "Mas há mais a fazer. A água é a própria essência da vida e ainda três quartos de mil milhões de pessoas - principalmente os pobres e os marginalizados – continuam actualmente privados deste direito humano mais básico".

Cerca de 2,3 mil milhões de pessoas tiveram acesso a fontes melhoradas de água potável a partir de 1990. Como resultado, a meta do Objectivo de Desenvolvimento do Milénio de reduzir para metade a percentagem da população mundial sem acesso à água, por altura dessa data, foi atingida cinco anos antes do prazo estipulado de 2015. Existem hoje apenas três países - a República Democrática do Congo, Moçambique e Papua-Nova Guiné - onde mais da metade da população não melhoraram o acesso à água potável.

Entretanto, apesar deste progresso, persistem significativas disparidades. Das 748 milhões de pessoas no mundo sem acesso à água, 90 por cento vivem em áreas rurais, e estão a ser deixadas para trás no progresso dos seus países.

Para as crianças, a falta de acesso à água potável pode ser trágico. Em média, cerca de 1.000 delas morrem diariamente de doenças diarreicas ligadas a água não potável, saneamento deficiente ou falta de higiene.

Para as mulheres e meninas, a colecta de água subtrai-lhes o tempo que elas poderiam usar a cuidar de famílias e estudar. Em zonas inseguras, esse fenómeno coloca-as em risco de violência e ataque. O UNICEF estima que só em África, as pessoas gastam 40 000 000 000 de horas a cada ano caminhando apenas para colectar água.

Desde o ano 2000, a África Subsaariana, a região com a menor cobertura em 1990, tem vindo a ganhar acesso à água potável, à razão de 50 mil pessoas por dia. No entanto, a região ainda responde por mais de 2 das 5 pessoas sem acesso a nível mundial - ou 325 milhões de pessoas. A maioria dos países da região não está a caminho de cumprir a meta dos ODMs.

Baseando-se num bem-sucedido plano no ano passado, o UNICEF e parceiros, este ano, estão novamente a envolver o público numa campanha de mídia social com o hashtag #wateris, para ajudar a aumentar a consciencialização sobre o problema e destacar a situação daqueles que ainda estão sem água potável.

Situação em Moçambique

Para Moçambique, esta é uma boa oportunidade de reforçar as mensagens de advocacia sobre o investimento do Governo nas infraestruturas de Água assim como para reforçar as mensagens à população em termos de manuseamento, conservação e tratamento da água, sobretudo neste ano que ocorreram cheias na Zambézia e as epidemias de cólera nas províncias de Tete, Zambézia, Sofala, Nampula e Niassa.

"Acceso à água é um direito humano fundamental” disse o Representante do UNICEF em Moçambique, Dr. Koenraad Vanormelingen, por ocasião do Dia Mundial da Água. "Apesar dos progressos realizados, a epidemia de cólera que o país está a sofrer mostra que muitas crianças ainda não têm acesso à água segura."

Condições precárias de água e saneamento geram sérias consequências à saúde da criança, muitas vezes provocando diarreia e outras doenças facilmente evitáveis. Em Moçambique e vários outros países, crianças, especialmente meninas, muitas vezes não frequentam a escola porque são responsáveis pela colecta de água para suas famílias, que pode exigir muitas horas de seu tempo. Além disso, muitas escolas não têm instalações sanitárias adequadas para as meninas, o que provoca o abandono escolar. A melhoria do acesso à água e saneamento será fundamental para reduzir a níveis muito mais altos a ocorrência de desnutrição crónica entre as crianças.

Segundo dados do UNICEF e da OMS (JMP 2014), em Moçambique apenas 49% da população total usa fontes melhoradas de abastecimento de água e 21% da população total usa infra estruturas melhoradas de saneamento sendo que mais de 40% da população pratica o fecalismo a céu aberto. A Água está no cerne do desenvolvimento e é indispensável para a realização da agenda pós-2015.

Moçambique tem o compromisso de fornecer acesso universal e equitativo à água potável segura e acessível e o acesso universal ao saneamento e higiene para todos, com foco nas necessidades de mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade, assegurando que todas as escolas e centros de saúde tenham água segura e confiável, saneamento e higiene, até ao ano de 2030.

O Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos está a liderar a coordenação global da celebração do Dia Mundial da Água, com o apoio do UNICEF e outros parceiros.


 

Para mais informações, favor contactar:

Gabriel Pereira
Tel +258 21 481 181
email: maputo@unicef.org

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