Dê as raparigas voz e educação de qualidade

Dê as raparigas voz e educação de qualidade

Viajando por 70 países durante 288 dias antecedentes aos Jogos da Commonwealth, em Glasgow, Escócia, o Bastão da Rainha chegou a Moçambique no início de Fevereiro, com os atletas a revezarem-se passando o Bastão de mão em mão no seu percurso pelo país.

Claudio Fauvrelle
Partilhar

Maputo - Viajando por 70 países durante 288 dias antecedentes aos Jogos da Commonwealth, em Glasgow, Escócia, o Bastão da Rainha chegou a Moçambique no início de Fevereiro, com os atletas a revezarem-se passando o Bastão de mão em mão no seu percurso pelo país. Uma das participantes era uma menina de 15 anos de idade de nome Amina Marcelino.

Amina parece ser uma rapariga comum em Moçambique. Mas não é. Ela é saudável, vive com ambos os pais, frequenta a 11ª classe, e gosta de ir à escola. Ao contrário de muitas meninas da sua idade, casar ou ter filhos na adolescência não faz parte dos seus planos. Infelizmente, Amina é uma das raras excepções entre a preocupante maioria das raparigas no país, para quem o casamento precoce e a maternidade minam a sua oportunidade de concluir o ensino.

Estima-se que metade das raparigas em Moçambique casa-se antes de completar 18 anos, com quase uma em cada cinco delas casadas antes dos 15, impedindo-as de frequentar a escola e viver uma vida de adolescente normal

Estima-se que metade das raparigas em Moçambique casa-se antes de completar 18 anos, com quase uma em cada cinco delas casadas antes dos 15, impedindo-as de frequentar a escola e viver uma vida de adolescente normal. Cerca de 1,2 milhões de crianças em idade escolar não estavam na escola em 2012, mais de metade delas meninas.

"No meu bairro, é normal para as meninas no início da adolescência ter filhos ou fazer abortos e abandonar a escolar para cuidar dos seus filhos", diz Amina. "Já vi isso na minha escola também. E não é porque elas querem. Muitas não têm consciência ou são enganadas e abusadas por pessoas mais velhas."

Amina mora perto de um dos bairros considerados mais perigosos de Maputo, e está rodeada de pobreza. Muitas adolescentes na sua idade já estão envolvidas em relações sexuais desprotegidas, e tornaram-se menos interessadas na escola, habilidades de vida e desporto.

Cedo Amina decidiu seguir um caminho diferente, e tem sido uma destacada defensora dos direitos da criança na sua escola. Com apenas 10 de idade, ela foi eleita para o Parlamento Infantil Moçambicano, que é apoiado pelo UNICEF, onde tem sido activa desde então. Através do seu exemplo e voz, ela espera inspirar outras raparigas a advogar pelos direitos da criança tais como a participação, ao acesso à educação de qualidade e a um ambiente propício para a criança.

Amina acredita que a melhor maneira de fortalecer a auto-estima das raparigas é incentivá-las a participar na educação e desporto, porque ambas desenvolvem as habilidades necessárias para tornarem-se membros activos da sociedade. Ela mesma gosta de jogar futebol.

"Eu inspiro-me nos valores do desporto como a igualdade, a honestidade, a ajuda mútua, o respeito pelos outros, a força de vontade e perseverança", diz Amina.

Quando o Bastão da Rainha chegou a Maputo no dia 4 de Fevereiro, Amina estava no aeroporto para recebê-lo, a convite do UNICEF e do Ministério da Educação. Em Moçambique, o UNICEF trabalha para melhorar a qualidade da educação, formando professores, fornecendo materiais escolares, construindo infraestruturas sanitárias seguras para as raparigas, e apoiando na integração do desporto e da educação física no currículo escolar, encorajando as raparigas em particular a participar.

Segurando o Bastão bem alto em nome de todas as crianças moçambicanas, Amina e outros jovens atletas circundaram a Praça dos Heróis e atravessaram algumas das principais avenidas e ruas de Maputo, com o símbolo de unidade, desporto e cultura erguido para toda a gente. A primeira paragem foi na Escola Primária 7 de Setembro, onde muitas outras crianças da escola puderam também erguer o Bastão e passa-lo de mão em mão.

"Eu me senti valorizada", diz ela, lembrando suas emoções naquele dia. "Eu transportava os sonhos e esperanças de todas as meninas moçambicanas".
  
Quando o Bastão finalmente chegou ao Conselho Municipal de Maputo e foi formalmente entregue às  autoridades nacionais, Amina dirigiu-se à multidão ali reunida, incluindo o Ministro da Juventude e Desportos, o Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, o Alto Comissário Britânico, o Representante do UNICEF, o Presidente do Comité Olímpico Nacional e a imprensa.

“O meu sonho é estudar praticando desporto, para aumentar os meus conhecimentos e tornar-me numa adulta com formação e com uma vida saudável. Para que o meu sonho e de outras raparigas moçambicanas se torne realidade, é preciso que os nossos pais, a nossa família e toda a sociedade criem condições para que toda a criança, em especial a rapariga, entre para à escola na idade certa e termine pelo menos o ensino secundário” disse Amina para o grande público. “Que ninguém force a rapariga a casar-se cedo, a engravidar ou a abandonar a escola, nem a sujeite a abuso e violência.

As palavras emocionadas da Amina não caíram no vazio, tendo os intervenientes a seguir a ela  repetido as suas palavras e enfatizando sua mensagem.

"A educação física é particularmente importante para as meninas, pois ajuda-as a permanecer na escola e contribui para a alfabetização das mulheres, um dos factores importantes para o desenvolvimento nacional", disse a Representante do UNICEF Dr. Koen Vanormelingen."Nós gostaríamos de associar este evento aos esforços de Moçambique para a melhoria do acesso à educação de qualidade, especialmente para a rapariga."

Para mais informações, favor contactar:

Gabriel Pereira
Tel + 258 21 481 181
email: maputo@unicef.org

Subscrever ao boletim

Educação de qualidade

Doar

As crianças de Moçambique precisam da sua ajuda. Chegou a sua vez de ajudar. Faça uma doação.

PARTILHAR

Partilha esta informação com teu amigos e familiares, e vamos ajudar mais pessoas a ficarem juntos pelas crianças de Moçambique.

NOSSO TRABALHO

Aprenda mais sobre o trabalho do UNICEF em Moçambique.