Consequências do El Niño afectarão milhões de crianças na África pelos próximos meses

Consequências do El Niño afectarão milhões de crianças na África pelos próximos meses

Moçambique e Etiópia enfrentam as piores estiagens em décadas. Cerca de 6 milhões crianças na Etiópia vão precisar de assistência alimentar em 2016. Nos próximos 12 meses, 190 mil crianças moçambicanas deverão sofrer malnutrição aguda. Angola, Lesoto e Suazilândia também enfrentam crises de fome.

Claudio Fauvrelle
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El Niño is over but its impact on children is set to worsen as disease, malnutrition continue to spread
Moçambique também passa por um período excepcional de secas, que já são as piores verificadas em 30 anos. © UNICEF/MOZA2016-00174/Sebastian Rich

Moçambique e Etiópia enfrentam as piores estiagens em décadas. Cerca de 6 milhões crianças na Etiópia vão precisar de assistência alimentar em 2016. Nos próximos 12 meses, 190 mil crianças moçambicanas deverão sofrer malnutrição aguda. Angola, Lesoto e Suazilândia também enfrentam crises de fome.

Embora o ciclo de um dos El Niños mais intensos já registrados tenha chegado ao fim, mais de 26.5 milhões de crianças vão continuar sofrendo as consequências do fenómeno climático pelos próximos meses em comunidades vulneráveis de países como Angola, Lesoto, Moçambique, Zimbábue, Etiópia e Suazilândia.

As graves secas e inundações provocadas pelo El Niño têm agravado a fome, a desnutrição e a proliferação de doenças entre milhões de menores — que poderão ser afectados ainda por um outro evento climático, o La Niña.

As consequências da desnutrição para o futuro das crianças, principalmente os menores de cinco anos, incluem riscos mais altos de doenças, de morte prematura e de prejuízos para o desenvolvimento mental.

Moçambique também passa por um período excepcional de secas, que já são as piores verificadas em 30 anos. Cerca de 1,5 milhão de indivíduos enfrentam insegurança alimentar e previsões indicam que 190 mil crianças sofrerão malnutrição aguda pelos próximos 12 meses.

Em Angola, 1,4 milhão de pessoas, incluindo 756 mil crianças, estão sendo afectadas por estiagens. Do contingente de meninos e meninas, quase 96 mil foram diagnosticados com malnutrição aguda severa. A nação africana também enfrenta um surto de febre amarela que já matou mais de 340 pessoas de Dezembro de 2015 a Junho de 2016.

Além de passarem fome, crianças estão com o futuro em risco, pois o clima extremo interrompeu a frequência escolar, aumentou o número de doenças e deteriorou os meios de subsistência de suas famílias.

A ausência escolar muitas vezes aumenta o risco das crianças de sofrerem abuso, exploração e, em algumas áreas, estarem sujeitas ao casamento prematuro.

“Milhões de crianças e suas comunidades precisam de ajuda para acelerar a redução do risco de desastres e se adaptarem às alterações climáticas, que estão causando eventos mais intensos e mais frequentes“, explicou a directora dos Programas de Emergência do UNICEF, Afshan Khan. “As mesmas crianças que são afetadas pelo El Niño e ameaçadas pelo La Niña estão na linha de frente da mudança climática.”

O acesso à água potável ficou escasso em muitos países, levando a uma elevação no número de casos de dengue, diarreia e cólera — enfermidades que são as principais causas de mortes das crianças.



Ler a seguir: Seca em Moçambique: Nações Unidas apoiam o Governo




Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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