Até três quartos de crianças e jovens enfrentam abusos, exploração e tráfico nas rotas migratórias do Mediterrâneo (UNICEF, OIM)

Até três quartos de crianças e jovens enfrentam abusos, exploração e tráfico nas rotas migratórias do Mediterrâneo (UNICEF, OIM)

É maior o número de vítimas procedentes de África Subsahariana, o que revela as consequências da discriminação e racismo. O relatório apela para a Europa estabelecer “rotas seguras e reguladas” para as migrações.

Claudio Fauvrelle
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NOVA IORQUE/BRUXELAS – Segundo o novo relatório (texto em Espanhol) publicado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), as crianças e os jovens migrantes e refugiados que tratam de chegar a Europa enfrentam níveis alarmantes de abusos aos direitos humanos: cerca de 77% dos que viajam pela rota do Mediterrâneo central denunciam ter sido vítimas directas de abuso, exploração e práticas equivalentes ao tráfico humano. 

Una terrible travesía [Uma terrível travessia] revela que, se bem que todos os migrantes e refugiados estão expostos a graves perigos, as crianças e os jovens em trânsito têm muito mais probabilidades de ser vítimas de exploração e tráfico que os adultos de 25 anos ou mais: cerca do dobro de probabilidades na rota do Mediterrâneo oriental e ao redor de 3% mais na rota do Mediterrâneo central.

Aimamo, uma criança não acompanhada de 16 anos procedente da Gâmbia e a quem se entrevistou num campo de refugiados da Itália, descreveu como desde à sua chegada à Líbia, os traficantes forçaram-na durante meses a extenuantes trabalhos manuais. “Se tentas correr, disparam contra ti. Se deixas de trabalhar, te batem. Éramos como escravos. E no fim do dia, te deixam encarcerado”.

as crianças e os jovens que viajam sós, os que empreendem viagens mais longas e aqueles que contam com níveis educacionais mais baixos são muito vulneráveis à exploração pelos traficantes e grupos de criminosos durante o trajecto de suas viagens.

O relatório está baseado em testemunhos de cerca de 22.000 migrantes e refugiados entrevistados pela OIM, entre os quais pelo menos 11.000 eram crianças e jovens.

“A crua realidade é que se tornou habitual que as crianças que estão em trânsito pelo Mediterrâneo sejam vítimas de abusos, tráfico, violência e discriminação”, afirmou Afshan Khan, Directora Regional do UNICEF e Coordenadora Especial da Crise de Refugiados e Migrantes na Europa. “Os dirigentes da União Europeia devem estabelecer soluções duradoiras que incluam rotas migratórias seguras e reguladas, estabelecendo corredores de protecção e encontrando alternativas à detenção das crianças migrantes”.

“As razões que fazem com que as pessoas deixem seus países para escapar da violência, da instabilidade ou da pobreza são graves, e as obrigam a empreender perigosas travessias sabendo que poderão ver-se forçadas a pagar com a sua dignidade, o seu bem-estar e incluindo a sua vida”, assegurou Eugenio Ambrosi, Director Regional da OIM para a União Europeia, Noruega e Suíça.

“Qualquer medida distinta ao estabelecimento de mais rotas migratórias reguladas resultará pouco efectiva. Ademais, devemos revigorar um enfoque baseado em direitos para a migração, empregando mecanismos melhorados para identificar e proteger aos mais vulneráveis no contexto do processo da migração, independentemente do seu estatuto legal”. 

Por outro lado, o relatório demonstra que, se bem que todas as crianças em trânsito estejam expostas a maiores perigos, aquelas que provêm da África Subsahariana têm muito mais probabilidades de ser vítimas de exploração e tráfico que as procedentes doutras partes do mundo: cerca de 65% comparado com cerca de 15% na rota do Mediterrâneo oriental, e cerca de 83% comparado com cerca de 56% na rota do Mediterrâneo central. O racismo é um importante factor subjacente desta discrepância.

Ademais, demonstrou-se que as crianças e os jovens que viajam sós, os que empreendem viagens mais longas e aqueles que contam com níveis educacionais mais baixos são muito vulneráveis à exploração pelos traficantes e grupos de criminosos durante o trajecto de suas viagens. Segundo se depreende do relatório, a rota do Mediterrâneo central é especialmente perigosa, já que a maioría dos migrantes e refugiados atravessam a Líbia, que continua fragmentada por ausência de governo, e repartida entre milícias e criminalidade. Em média, os jovens pagam entre 1.000 e 5.000 dólares por viagem, e geralmente chegam a Europa endividados e, por conseguinte, expostos a perigos adicionais.

O relatório faz um apelo, para que todas as partes implicadas (países de origem, trânsito e destino, a União Africana, a União Europeia, organizações nacionais e internacionais com assistência da comunidade doadora) deem prioridade a uma série de acções: estabelecer rotas seguras e reguladas para as crianças em trânsito; fortalecer os serviços de protecção para crianças migrantes e refugiadas, quer seja nos países de origem, trânsito ou destino; encontrar alternativas à detenção de crianças em trânsito; trabalhar com outros países para combater o tráfico e a exploração; e combater a xenofobia, o racismo e a discriminação contra todos os migrantes e refugiados. 

 

 

Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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