As alterações climáticas e a falta de saneamento ameaçam a segurança da água para milhões, afirma o UNICEF

As alterações climáticas e a falta de saneamento ameaçam a segurança da água para milhões, afirma o UNICEF

De acordo com o UNICEF, as pessoas mais vulneráveis são as cerca de 160 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade em todo o mundo que vivem em áreas de alto risco de seca. Cerca de metade de mil milhões delas vivem em zonas de inundação.

Claudio Fauvrelle
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Nova Iorque - Na véspera do Dia Mundial da Água, o UNICEF disse o momentum para levar água potável para milhões de pessoas em todo o mundo vai ser ainda mais desafiador devido às alterações climáticas, que ameaçam tanto o abastecimento de água e a segurança de água para milhões de crianças que vivem em situação de estiagem/seca ou em áreas propensas a inundações.

Em 2015 no final da época dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, cerca de 663 milhões de pessoas de todo o mundo tinham água potável a partir de fontes seguras - que são supostas para separar a água do contacto com excrementos. No entanto dados da tecnologia de testes recentemente disponíveis mostram que ao redor de 1,8 mil milhões de pessoas podem estar a consumir água contaminada por e-coli - o que significa que há material fecal na água, mesmo de algumas fontes melhoradas.

"Agora que podemos testar a água mais barata e eficientemente do que fomos capazes de fazer quando os ODMs foram estabelecidos, estamos próximos de entender a magnitude do desafio com que se defronta o mundo quando se trata de água limpa", disse Sanjay Wijeserkera, chefe de programas de água, saneamento e higiene, do UNICEF a nível mundial.  "Com as novas metas de desenvolvimento sustentável clamando por água 'segura' para todos, não estamos começando a partir de onde o ODM nos deixaram; trata-se de uma actividade inteiramente nova."

Um dos principais contribuintes para a contaminação fecal de água é o saneamento deficiente. Globalmente, 2,4 mil milhões de pessoas carecem de sanitários adequados e pouco menos de mil milhões dessas pessoas defecam a céu aberto. Isto significa que as fezes podem estar tão prevalentes em muitos países e comunidades que até mesmo algumas fontes de água melhoradas tornam-se contaminadas.

As preocupações de segurança (da água) estão a aumentar devido às alterações climáticas.

Quando a água se torna escassa durante a seca, as populações buscam água à superfície, de fontes inseguras. No outro extremo da escala, as inundações estragam as instalações de água potável e de tratamento das águas residuais, e alastram as fezes em redor, muitas vezes levando a um aumento de doenças com origem hídrica como a cólera e diarréia.

As temperaturas mais elevadas provocadas por alterações climáticas também estão na origem do aumento da incidência de doenças ligadas à água como a malária, o dengue - e agora o Zika – dado que a população de mosquitos aumenta e o seu raio geográfico expande-se.

De acordo com o UNICEF, as pessoas mais vulneráveis são as cerca de 160 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade em todo o mundo que vivem em áreas de alto risco de seca. Cerca de metade de mil milhões delas vivem em zonas de inundação. A maioria delas vive na África subsariana e na Ásia.

Com início no Dia Mundial da Água e terminando com a assinatura do Acordo de Paris em 22 de Abril, o UNICEF está a lançar uma campanha global de Instagram para aumentar a conscientização sobre a ligação entre a água, o ambiente e as alterações climáticas.

Usando o hashtag #ClimateChain, o Director Executivo do UNICEF, Anthony Lake, o Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Mogens Lykketoft, a Chefe das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, Christiana Figueres e outras personalidades irão figurativamente unir as mãos com os membros do público em uma cadeia de fotografias destinadas a instar a acção para combater as alterações climáticas. As imagens serão apresentadas no momento da assinatura do Acordo de Paris.

O UNICEF está também a responder aos desafios da mudança climática apostando na redução do risco de catástrofes para o abastecimento de água. Por exemplo:

  • Quase 20.000 crianças, em Bangladesh, agora têm acesso às fontes de água resistentes às alterações climáticas e a desastres naturais através de um sistema de recarga aquífera que capta a água durante a estação das monções, purifica-a e armazena-a em reservatórios subterrâneos.
  • Em Madagáscar, o UNICEF está a ajudar as autoridades locais a construirem salas de aulas à prova de inundações e ciclones, para 80.000 crianças, e proporcionam o acesso a fontes de água resistentes a calamidades naturais.
  • Em Kiribati, zona propensa à seca, novas instalações de colheita de águas pluviais e instalações de armazenagem estão a melhorar o acesso de água potável às comunidades.

Em uma publicação recente, Unless We Act Now, o UNICEF estabeleceu uma agenda de ordem de dez pontos sobre o clima para as crianças. Esta agenda define medidas concretas a serem tomnadas por governos, sector privado e pessoas comuns por forma a salvaguardar o futuro das crianças e dos seus direitos.


Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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