Aprender a alimentar os bebés apesar da pobreza

Aprender a alimentar os bebés apesar da pobreza

Após uma semana a dormir no hospital para tomar conta de Jorge, com um ano de idade, uma mãe de 26 anos perde a sua batalha dolorosa pela vida do seu filho. O seu bebé morre.

Claudio Fauvrelle
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Beira, Sofala – Após uma semana a dormir no hospital para tomar conta de Jorge, com um ano de idade, uma mãe de 26 anos perde a sua batalha dolorosa pela vida do seu filho. O seu bebé morre. Os seus gritos angustiados abafam qualquer outro barulho na ala pediátrica do Hospital Central da Beira, na província de Sofala.

As enfermeiras tentam consolar a mãe, mas ela está inconsolável. Ela é conduzida para fora, a chorar histericamente. Subitamente, a ala fica estranhamente silenciosa e paira no ar uma sensação de perda.

A rotina continua na ala. Mães continuam a alimentar os seus bebés e crianças pequenas. Muitas delas ainda estão seriamente malnutridas, com membros inchados ou esqueléticos e cabelo muito fino. No entanto, ainda há um sinal de esperança.

Enquanto a mãe de Jorge é conduzida para o exterior Gracilda Caetano, de 22 anos, prepara-se para sair. A sua filha Deolinda, com dois anos de idade, recuperou da malnutrição grave e acaba de ter alta após um mês no hospital. 

Por ser fundamental que as crianças a viver com HIV estejam bem nutridas, o UNICEF apoia um suplemento nutritivo, Plumpynut, para as crianças seropositivas nos hospitais de dia

“Deolinda estava muito magra quando a trouxe para o hospital,” diz Gracilda, mãe de duas crianças. “Ela pesava pouco mais de sete quilos. Eu fiquei com ela no hospital. A minha mãe ficou a tomar conta do meu outro filho porque o meu marido está em Maputo.”

Gracilda, que desistiu da escola na sexta classe quando ficou grávida, diz que durante a sua estadia no hospital, as enfermeiras explicaram lhe a importância de uma dieta equilibrada para a sua filha.

“Aprendi que é bom pôr amendoim na papa (papa de farinha de milho) para o meu bebé e cozinhar verduras todos os dias. Antes, costumava dar-lhe  papa sem amendoim.”

A maioria das crianças com malnutrição grave na ala – 50 por mês em média – vai recuperar, diz a enfermeira Maria José. Ela aponta para uma criança de oito anos, Graça Afonso, que pesa apenas 15 quilos. “Ela estava quase a morrer quando chegou,” diz a enfermeira.

Tendo em conta a sua altura, Graça deveria pesar pelo menos mais cinco quilos. Ela tem kwashiorkor, um tipo de malnutrição grave que faz as crianças reterem líquidos em excesso e perturba os mecanismos metabólicos.

Graça bebe oito vezes por dia um leite terapêutico designado F-100 com óleo, açúcar, cereais, vitaminas e minerais adicionais, que foi introduzido em Moçambique pelo UNICEF e é agora fornecido pelo Governo. A sua irmã mais nova Cristina, com três anos de idade, que apenas pesa 11,5 kilos, está também a receber tratamento no hospital, mas o seu caso não é tão grave.

A malnutrição infantil em Moçambique está a piorar à medida que o impacto da epidemia do HIV e SIDA se faz sentir. A Beira tem a taxa de prevalência de HIV mais elevada no país, com pelos menos 26 por cento da população adulta a viver com HIV e SIDA. As crianças a viver com pais doentes ou órfãs devido ao SIDA estão particularmente vulneráveis.

Metade das crianças admitidas na ala de malnutrição são seropositivas, salienta a Responsável pelo programa de saúde no UNICEF, Christiane Rudert.

“Por ser fundamental que as crianças a viver com HIV estejam bem nutridas, o UNICEF apoia um suplemento nutritivo para as crianças seropositivas nos hospitais de dia. Chama-se Plumpynut, e é um alimento terapêutico semelhante ao F-100 mas pronto a consumir em casa. Ao contrário do F-100, não tem de ser misturado com água. As crianças podem simplesmente comer directamente do pacote.”

No entanto, existe um número significativo de crianças malnutridas que não são seropositivas. O Director do Hospital da Beira, Josefo Ferro, diz que algumas famílias não têm comida em casa devido, em particular, à precipitação incerta.  A educação também é um problema.

“Muitas mães não sabem como dar uma dieta equilibrada aos seus filhos. Têm hábitos muito fortes no que diz respeito a práticas alimentares. É difícil alterar o seu comportamento, mas é necessário apoiar estas pessoas não só no que diz respeito à alimentação mas também no que diz respeito à educação.”

Para além disso, grande parte das crianças chega à ala de malnutrição muito tarde, quando a sua condição já é crítica, e nem sempre é possível salvá-las.

A mãe da Graça e da Cristina, Quina Lopes de 27 anos de idade, está no hospital para tomar conta das duas. “A Cristina melhorou desde que chegamos mas estou muito preocupada com a Graça,” diz a mãe que acabara de presenciar a morte do Jorge.

 

Para mais informações, favor contactar:

Gabriel Pereira
Tel + 258 21 481 181
email: maputo@unicef.org

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