Apesar dos progressos, o futuro de 180 milhões de crianças é mais sombrio que o dos seus pais – UNICEF

Apesar dos progressos, o futuro de 180 milhões de crianças é mais sombrio que o dos seus pais – UNICEF

Em mais de 130 países, as actividades do Dia Mundial da Criança permitirão às crianças exprimir as suas inquietações e defender as crianças mais desfavorecidas.

Claudio Fauvrelle
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NOVA IORQUE – Segundo uma análise realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) por ocasião do Dia Mundial da Criança, uma em cada 12 crianças de todo o mundo vive em países onde o seu futuro será pior que o dos seus pais, apesar dos progressos que se alcançaram a nível mundial.

De acordo com a análise, 180 milhões de crianças vivem em 37 países onde têm mais probabilidades de viver em situação de extrema pobreza, deixar de ir à escola ou morrer por causa da violência, do que as crianças que viviam nesses mesmos países há 20 anos.

“Embora a última geração tenha testemunhado amplos ganhos sem precedentes em padrões de vida para a maioria das crianças do mundo, é um absurdo que uma minoria esquecida de crianças tenha ficado excluída por causas alheias a si próprias ou de suas famílias” assegurou Laurence Chandy, Director de Dados, Investigação e Políticas do UNICEF.

O UNICEF comemorará o Dia Mundial da Criança, que marca o aniversário da adopção da Convenção sobre os Direitos da Criança, com actividades internacionais em que as crianças assumirão o comando das funções de adultos, além da celebração em mais de 130 países de outros actos e eventos para crianças que têm como objectivo proporcionar-lhes uma plataforma que as ajude a salvar as vidas de outras crianças, a lutar pelos seus direitos e a desenvolver o seu potencial.

“A esperança de cada pai e cada mãe, em todos os lugares, é oferecer aos seus filhos mais oportunidades que as que tiveram quando eram jovens. Neste Dia Mundial da Criança devemos prestar atenção ao número de crianças que, sem dúvida, encontram cada vez mais menos oportunidades e perspectivas futuras”, acrescentou Chandy.

Ao avaliar as possibilidades que as crianças têm de escapar da pobreza extrema, obter uma educação básica e evitar morrer de forma violenta, a análise do UNICEF revela que:

· A percentagem de pessoas que vivem com menos de 1,90 dólares por dia aumentou em 14 países, incluindo Benim, Camarões, Madagáscar, Zâmbia e Zimbabwe. Esse aumento deve-se principalmente às perturbações sociais, aos conflitos ou a uma governação deficiente.

· O nível de matrículas para as escolas primárias diminuiu em 21 países, entre os quais a Síria e a Tanzânia, devido a factores como as crises económicas, o crescimento rápido da população ou os conflitos.

· O número de mortes de crianças menores de 19 anos, por causa de violência, aumentou em sete países: República Centro-Africana, Iraque, Líbia, Sudão do Sul, Síria, Ucrânia e Iémen - todos eles representando piores cenários de conflitos.

· Em quatro países - República Centro-Africana, Sudão do Sul, Síria e Iémen – testemunhou-se um declínio em mais de uma das três áreas avaliadas, enquanto o Sudão do Sul enfrentou declínios  nas três áreas.

“Numa era de rápidas mudanças tecnológicas que geram enormes benefícios na qualidade de vida, é terrível que centenas de milhões de crianças vejam como a sua qualidade de vida diminui, o que lhes provoca uma sensação de injustiça em relação a elas e de fracasso daqueles que cuidam delas”, destacou Chandy. “Não é de surpreender que sintam que não sejam ouvidas e que considerem que seus futuros sejam incertos”.

Uma pesquisa paralela, levada a cabo pelo UNICEF em 14 países com crianças entre 9 e 18 anos, e publicada também hoje, evidencia que as crianças estão muito preocupadas pelas questões que lhes afectam a si e a outras crianças: a violência, o terrorismo, os conflitos, as mudanças climáticas, o tratamento injusto que se dá aos refugiados e migrantes, e a pobreza.

As conclusões mais importantes dessa pesquisa são:

· Ao perguntar-lhes como se sentem quando se tomam decisões que afectam as crianças de todo o mundo, a metade das crianças desses 14 países denunciam sentir que não se respeita o seu direito à decisão.

o   As crianças da África do Sul e do Reino Unido são as que mais sentem essa falta de respeito pelos seus direitos, com cerca de 73% e de 71%, respectivamente, assegurando que jamais as escutam ou que as suas opiniões não contam para nada.

o   As crianças da Índia são as que se sentem mais empoderadas: cerca de 52% delas consideram que são escutadas, que podem ajudar o seu país e que suas opiniões podem influenciar o futuro do seu país.

· As crianças desses 14 países consideraram o terrorismo, a educação precária e a pobreza como as questões mais importantes que elas gostariam ver medidas a serem tomadas pelos líderes mundiais.

· Nesses 14 países, a violência contra as crianças resultou como a maior preocupação: cerca de 67% assegurou estarem muito preocupadas. As crianças do Brasil, Nigéria e México são as mais preocupadas pela violência que afecta às crianças: respectivamente 82%, 77% e 74%, asseguraram estar muito preocupadas por este assunto. As crianças do Japão são as que menos se preocupam com esta questão, com menos de um quarto das crianças entrevistadas (23%) a dizerem estar muito preocupadas.

· As crianças desses 14 países sentem a mesma preocupação em relação ao terrorismo e à educação precária: cerca de 65% de todas as crianças entrevistadas estão muito preocupadas por estes temas. As crianças da Turquia e do Egipto são as que mais preocupadas estão em relação ao terrorismo, que as afectam pessoalmente: cerca de 81% e 75% respectivamente. Ao contrário, as crianças dos Países Baixos são as que menos preocupadas estão que o terrorismo as possam afectar directamente (apenas cerca de 30% mostram essa preocupação). As crianças do Brasil e da Nigéria são as mais preocupadas pela educação precária ou a falta de acesso: mais de 8 de cada 10 crianças se preocupam que isso afecte às crianças de todo o mundo.

· Cerca de 4 de cada 10 crianças desses 14 países estão preocupadas pelo tratamento injusto às crianças refugiadas e migrantes em todo o mundo. As crianças do México, do Brasil e da Turquia são as que mais se preocupam pelo tratamento injusto que se dá aos refugiados e aos migrantes em todo o mundo: quase três de cada quatro crianças mexicanas dizem estar preocupadas, seguidas de mais de metade das crianças do Brasil e da Turquia. Ao redor de 55% das crianças do México sentem essa preocupação porque tal pode afectá-las pessoalmente.

· Quase metade das crianças (45%) desses 14 países não confiam que os adultos ou líderes mundiais tomem boas decisões a favor da infância. O Brasil conta com a percentagem mais alta (81%) de crianças que não confiam nos seus líderes, seguidas de África do Sul, com 69%. As crianças da Índia são as que mais confiam nos seus dirigentes: tão-somente cerca de 30% não confiam neles.

· Barack Obama, Cristiano Ronaldo, Justin Bieber e Taylor Swift são algumas das pessoas a quem mais crianças convidariam para as suas festas de aniversário: o antigo Presidente dos EUA encontra-se entre os primeiros cinco em 9 desses 14 países. Assistir à televisão ocupa a primeira diversão eleita em 7 desses 14 países.

O Dia Mundial da Criança é um dia “para crianças e das crianças” em que as crianças de todo o mundo tomarão a seu cargo de funções mais destacadas dos meios de comunicação, da política, dos negócios, dos desportos e do entretenimento, com o fim de exprimir suas preocupações sobre as questões nas quais os dirigentes mundiais deveriam centrar-se, assim como de manifestar o seu apoio a milhões de outras crianças que enfrentam um futuro com pouca esperança.

“O Dia Mundial da Criança é uma ocasião para nos escutarem e de nos darem a voz para falarmos sobre o nosso futuro. A nossa mensagem é clara: devemos elevar a nossa própria voz e, ao fazê-lo, o resto do mundo deve-nos escutar”, declarou Jaden Michael, activista de 14 anos e defensor da causa das crianças no UNICEF.

 

 

Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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