A história do meu casamento prematuro

Por Hortência Tomás, 19 anos de idade.

Claudio Fauvrelle
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Hortência Tomás
"Quando eu era criança, fui obrigada a casar. Esta é a minha história" - Hortência Tomás, 19 anos de idade. © UNICEF Moçambique/2017/Yolanda Correia

Não conheci os meus pais, e vivia com a minha avó que não trabalhava. Eu ajudava nas tarefas de casa.

Um dia, o meu tio veio visitar-nos, e obrigou-me a casar. O homem com quem iria-me casar era um amigo do meu tio, que tinha dinheiro. O meu tio só queria o dinheiro dele.

Eu tinha 15 anos e fui viver com aquele senhor que tinha 43 anos. Ele proibia-me de ir à escola. Mas eu queria continuar a estudar, fugia de casa para poder ir à escola, e quando ele descobria que eu tinha ido a escola, ele batia-me.

Em 2016 fiquei grávida. Liguei para o meu marido para contar que estava grávida, e ele disse para eu fazer aborto. Eu neguei e decidi que tinha de fugir de casa.

Consegui fugir, e até hoje não ouvi falar mais dele, e não sei o seu paradeiro. Sobrevivo fazendo negócios para sustentar a minha filha.

Um dia aconselharam-me a visitar a organização LEMUSICA (Levante-se Mulher e Siga o seu Caminho) e a participar no clube das raparigas. Agora participo no clube e a minha filha esta a ser apoiada pela LEMUSICA.

Muito obrigada a LEMUSICA pelo apoio.

 

Sobre os casamentos prematuros em Moçambique

Os casamentos prematuros afectam quase a metade das raparigas abaixo dos 18 anos de idade em Moçambique (segundo o Inquérito Demográfico e de Saúde de 2011), colocando o país na 11ª posição a nível mundial em termos de prevalência de casamentos prematuros.

Ao casar-se, espera-se que a rapariga renuncie a sua infância e muitas vezes a escola para assumir o seu papel de esposa e mãe, cumprindo com todos os deveres de mulher incluindo manter relações sexuais e procriar. É nesta perspectiva que o casamento prematuro é visto como violência ou forma de legitimar o abuso sexual das crianças.

Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +258 21 481 100
email: cfauvrelle@unicef.org

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