3 em cada 5 bebés não são amamentados na primeira hora de vida

3 em cada 5 bebés não são amamentados na primeira hora de vida

A amamentação dentro de uma hora após o nascimento é benéfico para salvar as vidas de recém-nascidos.

Claudio Fauvrelle
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O aleitamento materno é a intervenção mais eficaz e barata na história para salvar vidas de crianças
A amamentação dá às crianças o melhor começo possível na vida. © UNICEF Mozambique/2014/Karin Schermbrucker

NOVA IORQUE / GENEBRA - Estima-se que 78 milhões de bebés - ou três em cada cinco - não são amamentados na primeira hora de vida, colocando-os em maior risco de morte e doença e tornando-os menos aptos a continuar a amamentação, segundo um novo relatório (em Inglês) publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial de Saúde (OMS). A maioria desses bebés nascem em países de baixa e média renda.

O relatório observa que os recém-nascidos que são amamentados na primeira hora de vida são significativamente mais aptos a sobreviver. Mesmo um atraso de algumas horas após o nascimento pode representar consequências com risco de vida. O contacto pele-a-pele e o chupar da mama, estimulam a produção do leite materno incluindo o colostro, também chamado de primeira vacina do bebé, que é extremamente rico em nutrientes e anticorpos.

"Quando se trata do início da amamentação, o timing é tudo. Em muitos países, pode ser uma questão de vida ou morte ", diz Henrietta H. Fore, Directora Executiva do UNICEF. "No entanto, todos os anos, milhões de recém-nascidos perdem os benefícios da amamentação precoce e as razões - com demasiada frequência - são coisas que podemos mudar. As mães simplesmente não recebem aconselhamento suficiente para amamentar dentro desses minutos cruciais após o nascimento, mesmo da equipe médica nas unidades sanitárias."

O relatório diz que as maiores taxas de amamentação na primeira hora após o nascimento são mais altas na África Oriental e Austral (65%) e mais baixas na Ásia Oriental e no Pacífico (32%). Quase 9 em 10 bebés nascidos no Burundi, em Sri Lanka e em Vanuatu são amamentados na primeira hora. Em contraste, apenas dois em cada 10 bebés nascidos no Azerbaijão, Chade e Montenegro fazem isso.* Em comparação, dois terços (2/3) das crianças em Moçambique, são amamentadas na primeira hora após o nascimento.

"A amamentação dá às crianças o melhor começo possível na vida", diz o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Director-geral da OMS. "Precisamos urgentemente ampliar o apoio às mães - seja pelos membros da família, profissionais de saúde, empregadores e governos, para que possam dar a seus filhos o começo que merecem."

A amamentação dentro de uma hora após o nascimento é benéfico para salvar as vidas de recém-nascidos.

O relatório Capture the moment (Capta o momento), que analisa dados de 76 países, descobre que, apesar da importância do início precoce da amamentação, muitos recém-nascidos ficam esperando por muito tempo por diferentes razões, incluindo:

  • Dar de comer alimentos ou dar de beber bebida para recém-nascidos, incluindo fórmula Infantil: Práticas comuns, como descartar o colostro, um idoso dando mel para o bebé tomar ou profissionais de saúde que dão ao recém-nascido um líquido específico, como água com açúcar ou fórmula infantil, atrasam o primeiro contacto crítico do recém-nascido com a mãe.
  • O aumento nas cesarianas electivas: no Egipto, as taxas de cesarianas mais que duplicaram entre 2005 e 2014, aumentando de 20% para 52%. Durante o mesmo período, as taxas de início precoce da amamentação diminuíram de 40% para 27%. Um estudo realizado em 51 países observa que as taxas de início precoce do aleitamento são significativamente menores entre os recém-nascidos nados por cesariana. No Egipto, apenas 19% dos bebés nascidos por cesariana foram amamentados na primeira hora após o nascimento, em comparação com 39% dos bebés nascidos por parto natural.
  • Lacunas na qualidade dos cuidados prestados às mães e aos recém-nascidos: a presença de uma parteira qualificada não parece afectar as taxas de amamentação precoce, de acordo com o relatório. Em 58 países, entre 2005 e 2017, os partos nas instituições de saúde cresceram 18 pontos percentuais, enquanto as taxas de início precoce aumentaram 6 pontos percentuais. Em muitos casos, os bebés são separados de suas mães imediatamente após o nascimento e a orientação dos profissionais de saúde é limitada. Na Sérvia, as taxas aumentaram 43 pontos percentuais de 2010 a 2014, devido aos esforços para melhorar os cuidados recebidos pelas mães ao nascer.

Estudos anteriores, citados no relatório, mostram que os recém-nascidos que começaram a ser amamentados entre duas e 23 horas após o nascimento tiveram um risco 33% maior de morrer do que aqueles que começaram a ser amamentados dentro de uma hora após o nascimento. Entre os recém-nascidos que começaram a ser amamentados um dia ou mais após o nascimento, o risco foi mais de duas vezes maior.

O relatório insta governos, doadores e outros tomadores de decisão a adoptar medidas legais fortes para restringir a comercialização de fórmulas infantis e outros substitutos do leite materno (ver marketing of infant formula).

O Colectivo Global de Amamentação, liderado pela OMS e pelo UNICEF (ver Global Breastfeeding Collective, também publicou o 2018 Global Breastfeeding Scorecard, que acompanha o progresso das políticas e programas de amamentação. Nesse Global Scorecard, incentiva-se aos países a promover políticas e programas que ajudem todas as mães a iniciar a amamentação na primeira hora da vida de seus filhos e a continuar pelo tempo que quiserem.

* Dentre os países com dados mais recentes (2013-2018).





Para mais informações, favor contactar:

Claudio Fauvrelle
Tel +25821481100
email: cfauvrelle@unicef.org

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